RISCO DE CONTÁGIO DE LEGIONELLA EM TRABALHO: MEDIDAS DE PREVENÇÃO

As bactérias do género Legionella pode sobreviver e multiplicar-se a temperaturas entre 25 e 42oC, sendo que também pode ser encontrada em baixas concentrações em ambientes naturais, tais como rios, lagos e solos húmidos. Por seu turno, as concentrações elevadas verificam-se em sistemas de água artificiais inadequadamente mantidos, nomeadamente, em torres de refrigeração. A exposição a esta bactéria pode provocar uma infeção respiratória denominada Doença dos Legionários, uma forma de pneumonia potencialmente fatal. A infeção transmite-se por inalação de gotículas de vapor de água contaminada, aerossóis, de dimensões tão pequenas que veiculam a bactéria para os pulmões, possibilitando a sua deposição nos alvéolos pulmonares.

A ingestão da bactéria não provoca infeção, nem se verifica o contágio de pessoa para pessoa. A doença atinge em especial adultos, entre os 40 e 70 anos de idade, com maior incidência nos homens. Os fumadores, pessoas com problemas respiratórios crónicos, doentes renais e de um modo geral imunodeprimidos têm maior probabilidade de contrair esta doença. Os sintomas incluem febre alta, arrepios, dores de cabeça e dores musculares. Em pouco tempo aparece tosse seca e, por vezes, dificuldade respiratória, podendo nalguns casos desenvolver-se diarreia e/ou vómitos. O doente pode ainda ficar confuso ou mesmo entrar em situações de delírio. A infeção criada, embora não seja contagiosa, pode ser mortal em casos graves.

Existem certas atividades e profissões que poderão acarretar maior risco de contágio de Legionella:

❏        Técnicos de manutenção de aparelhos de ar condicionado ou sistemas de abastecimento de água;

❏        Dentistas;

❏        Soldadores;

❏        Trabalhadores em instalações de lavagem de viaturas;

❏        Mineiros;

❏        Profissionais de saúde;

❏        Trabalhadores em estações industriais de tratamento de águas residuais;

❏        Profissionais da Hotelaria e restauração.

Qualquer entidade que comporte risco de contágio, deve proceder, no âmbito das suas políticas preventivas à AVALIAÇÃO DE RISCOS PROFISSIONAIS NO LOCAL DE TRABALHO.

A avaliação de risco é um elemento fundamental de qualquer atividade preventiva no domínio da Segurança e Saúde no Trabalho. A lei 102/2009, alterada pela lei 3/2014, no seu artigo 15.º, prevê esta atividade como uma Obrigação da Entidade Empregadora, sujeita a contra-ordenação muito grave, a aplicar pela Autoridade para as Condições de trabalho, nos casos de incumprimento.

Uma vez realizada a avaliação de riscos devem ser implementadas medidas de prevenção, saúde e segurança, tais como:

  • Limpeza, desinfeção e manutenção das instalações e equipamentos contaminados;

  • Colocar as entradas de ar novo longe de torres de arrefecimento de sistemas de condicionamento de ar;

  • Evitar zonas de estagnação no sistema de distribuição de água quente e fria;

  • Estabelecer protocolos de manutenção e desinfeção periódicas dos equipamentos que possam favorecer a multiplicação destas bactérias;

  • Nos sistemas de distribuição de água, particularmente em grandes edifícios, e sobretudo nos que por razões de planeamento interno, encerram parcial ou totalmente em determinados períodos, a temperatura deve manter-se entre valores que dificultem a multiplicação destes microrganismos (água quente superior a 50oC e água fria inferior a 20oC);

  • Uso de máscaras apropriadas pelos trabalhadores que lidam com estas instalações e/ou que são responsáveis pela sua manutenção.

Evite imprevistos na sua saúde. 

Elisabete Gonçalves
Engª Segurança no Trabalho e Técnica Higiene Alimentar
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